29 de abril de 2013

 
E bastou passar na tua frente que alguma coisa brilhou. Veio de você pra mim. Me pego pensando que nada é por acaso, mas isso só piora. Eu quero pensar que tudo deveria ter sido do mesmo jeito, e dai não tenho pra onde correr.
 
Sempre tive todos os pensamentos em dia com você, mas não imaginava que você os cobraria assim, tão de perto. E por mais que eu os segurasse, eles explodiram. Todos. De uma só vez.
 
Guardei também os teu sorrisos. Porque é da parte que eu gosto mais. A parte que você sorri.
 
Guardei por anos todos os sorrisos que não foram meus. E naquela noite, olhar de lado e ver teu sorriso retribuindo meus olhos foi o suficiente pra saltar a vontade de me esticar em todo espaço que é teu.
 
Vou te contar que já não ligo mais pros grandes segredos que ligam meu nome ao teu. Que na verdade, eu queria mesmo era te falar todos eles bem baixinho no pé do teu ouvido. E te contar de todas as músicas que me faz lembrar você.
 
Te falar de todos os caminhos que a gente traçava e que ainda estão do mesmo jeito. Que não teve bússola capaz de me tirar de lá. Do teu norte. E que viajar no teu peito ainda é a sensação mais tranquila que você pode me dar. Porque é no teu ombro que existe um lugar só meu. O meu encaixe. O teu abraço.

Eu poderia preparar uma noite cheia de beijo e não falar de erros, mas só falar de saudade. Porque quando eu penso em saudade é teu nome que me vem na cabeça. Mas agora, não. Agora eu também não quero me apaixonar de novo. Mas se você pedisse eu faria. Com direito a carta toda semana. Te desenhando amor em papel. Como sempre foi.

Eu vou te deixar por mais algum tempo aqui dentro, mas não sei até quando. Mesmo sabendo que você poderia ficar, se quisesse, a vida inteira.
 
Talvez eu me permita ser feliz assim. Sem ter você do lado de  fora. Só. Vivendo com você. Aqui dentro.

Você colocou alguma coisa pra dormir aqui. Mas o que eu mais gostei foi do que você despertou. 
Outra vez

(Vanessa Leonardi)

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