30 de agosto de 2013


Eu tenho acesso ao teu coração. Um aceso limitado, é verdade, só tenho uma  uma senha, justo teu coração tão cheio de senhas, e ela me leva apenas à um lugar que eu inventei pra mim, dentro de você. Caminho pela intuição, mas pode chamar de piração onde é sempre noite. Lá eu posso ver o teu céu. Está sempre encoberto, mas não de todo. Dá pra ver uma estrela. E umas nuvens que formam desenhos desconexos. Dá pra ouvir as tuas músicas e entender as tuas mágoas. Não é grande, porque eu nunca fui espaçosa, mas tem espaço o suficiente para armazenar tudo que eu acho bonito em você, e também para correr entre a brisa das tuas lembranças mais caras, de você menino, de você descobridor dos sete mares, dos ares e das cenas de amor por mim. Às vezes sinto um descompasso. Todo o teu coração bate diferente deste pedacinho que eu inventei pra mim. É doido porque é o meu sangue que corre nessas veias metafóricas, que detestam rejeição. É daí que eu vejo como é pequeno este espaço. Sinto-me invasora e me retiro. Decido não te ocupar mais, mas então, quando noites ou mesmo em fragmentos de dia que me conectam à você ocorrem, eu fecho os olhos e digo bem baixo a senha e tudo começa outra vez. Tenho esperanças. E ilusões. Penso que estou alargando meu domínio despercebido, porque sempre descubro alguma coisa nova. Tenho sonhos de que um dia desses, sem que eu saiba como nem o porquê, eu te acesso a outro pedaço de senha, e consiga entrar no seu coração, o seu mesmo, não este inventado por mim, e com a sua permissão, com a sua emoção, e mais até do que isso, com um chamado seu, eu amplie meu saber de ti.

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