15 de janeiro de 2014

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angustias sonhadas mais reais
Que as  que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imagina-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta coisa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo."

(Alberto Caeiro)